Reflexões

Reflexões do Panathlon Clube de Lisboa sobre o Desporto e a sua importância na nossa sociedade

Sendo cada vez mais inegável a importância e o impacte do desporto na vida quotidiana, importa, desde já, apresentar algumas reflexões sobre os tempos actuais, que têm vindo a ser objecto de várias análises no seio do Panathlon Clube de Lisboa desde a tomada de posse dos actuais Corpos Sociais – em Janeiro de 2016 – nomeadamente em três domínios essenciais:

  1. A IMPORTÂNCIA SOCIAL, CULTURAL E EDUCATIVA DO DESPORTO
  2. A IMPORTÂNCIA ECONÓMICA DO DESPORTO NA NOSSA SOCIEDADE
  3. A IMPORTÂNCIA DO DESPORTO NA SAÚDE PÚBLICA

Como dizia Pierre de Coubertin (1863-1927), “o Desporto faz parte da herança de todos os homens e mulheres e a sua ausência nunca poderá ser compensada”.

Numa altura em que parece que alguns desconhecem ou esqueceram-se dos fundamentos antropológicos, filosóficos e organizacionais desta actividade, importa salientar o contributo do Desporto no desenvolvimento e promoção de valores sociais, culturais e educacionais tais como:

  • A justiça;
  • A tolerância e o respeito mútuo;
  • A solidariedade;
  • O respeito das regras;
  • O espírito de equipa;
  • A autodisciplina;
  • O aproximar dos cidadãos, independentemente da sua idade, origem social, credo ou etnia.

O Desporto é um dos raros domínios nos quais a noção de mérito e a igualdade de oportunidades são realidades objectivas. Desporto quer dizer trabalho e esforço.

Embora seja hoje clara para muitos a importância económica do Desporto, tal facto não é traduzido nem destacado em manifestos eleitorais ou mesmo em programas de Governo, como acontece amiúde.

Dito isto, referiremos sucintamente alguns dados interessantes para a análise desta problemática:

  • O Desporto na UE representa 1,6% do Valor Acrescentado Bruto (efeitos directos) e 1,22% do Valor Acrescentado Bruto (efeitos indirectos);
  • Em Portugal (dados da Conta Satélite do Desporto 2010-2012) o Desporto representa 1,2% do Valor Acrescentado Bruto e 1,4% do emprego a tempo completo;
  • O Desporto representa 2,12% de emprego total na EU;
  • A economia relacionada com o Desporto demonstrou ser excecionalmente resiliente durante a crise económica;
  • O Desporto é um importante motor de inovação (i.e., a melhoria constante de desempenho e de excelência);
  • No Reino Unido está entre as 15 principais indústrias, à frente das telecomunicações, indústria automóvel, seguros, etc.
  • No Reino Unido emprega 400.000 pessoas a tempo inteiro e representa 2,3% dos empregos a nível nacional.

No respeitante à área da saúde, os baixos níveis de actividade física regular e sistemática entre as crianças e jovens na União Europeia está a causar uma situação alarmante, mesmo em termos políticos e financeiros, na medida em que a inactividade física é responsável por 500.000 mortos/ano e tem um custo anual de cerca de 80.4 biliões de €.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) identifica a inactividade física como o quarto factor de risco em termos globais de mortalidade. Estudos recentes indicam-nos mesmo que 1/4 dos adultos europeus e 4/5 dos adolescentes europeus são insuficientemente activos.

Num estudo publicado pela Comissão Europeia (Eurobarómetro, 2014) no que se refere à questão “Qual a frequência com que fazem exercício físico ou praticam desporto?” constata-se que 64% dos inquiridos portugueses responderam NUNCA, o que é um valor bem mais elevado do que a média europeia para esta mesma resposta (42%) ou do que a resposta dos suecos (9%).

De notar que este resultado, no caso português, é 9% pior do que o obtido em idêntico estudo feito anteriormente (Eurobarómetro, 2009).

Perante todos estes dados pergunta-se:

  • Qual a razão por que não é dada à disciplina curricular de Educação Física e ao Desporto o reconhecimento social e político que esta área merece, em termos orgânicos e institucionais e principalmente de medidas políticas concretas e estáveis para este sector?

Esta é a nossa principal interrogação na actual conjuntura e é justamente sobre este e outros temas correlacionados que têm sido organizadas as sessões mensais do PCL, que têm obtido um crescendo interesse e sucesso no seio do movimento desportivo.

Sabemos bem que em Portugal há uma vasta produção legislativa, mas a verdade é que o Desporto tem estado sistemática e lamentavelmente ausente dos debates sobre a vida nacional.

Falta-nos, sobretudo, uma visão política global para o Desporto, como sendo um factor de cidadania, de educação, de luta contra a discriminação e um poderoso facilitador da integração social.

Todavia, esta perspectiva não se compadece com um somatório de iniciativas avulsas – a que assistimos frequentemente – tecnicamente pouco sólidas, de carácter propagandístico ou exclusivamente comercial.

O Desporto deve ser entendido pelos poderes públicos e pela sociedade portuguesa, de um modo geral, como um fenómeno social e económico de uma importância crescente e com uma enorme relevância em termos educativos e de saúde pública.

Por isto mesmo, todos temos de dar uma resposta séria, coerente, sustentada e baseada num pensamento claro e estratégico.

Com um novo ciclo olímpico em desenvolvimento, nada melhor do que aproveitarmos esta fase para uma reflexão e um planeamento rigoroso do que deve ser o Desporto nacional, em todas as suas vertentes e contextos – que vão do desporto infanto-juvenil ao alto rendimento.

O Desporto é fundamental na nossa sociedade!

O Panathlon Clube de Lisboa está disponível para, uma vez mais, dar o seu contributo.

Ludis Iungit (Unidos pelo Desporto).

 

Manuel Brito

Presidente do Panathlon Clube de Lisboa

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